Gladstone

Produzir conteúdo é o melhor negócio

Escrever para a web é uma atividade essencial para qualquer pessoa, qualquer que seja seu objetivo. Se esse objetivo é profissional, então não importa qual a profissão daquele que produz o texto. (Aqui muitos diriam que na verdade essencial é “produzir conteúdo”, e que o conteúdo em vídeo ou imagem é ordens de magnitude mais eficiente que o conteúdo em texto. Não irei questionar essa afirmação, mas apenas dizer que “texto” está na base de todas as outras formas de conteúdo.)

No contexto profissional, produzir texto para a web é uma atividade complementar tão ou mais eficiente para o networking que a tradicional participação em congressos e eventos em geral, e certamente mais eficiente que, desconhecido, correr atrás de profissionais importantes e, de mãos vazias, entregar cartões e resumés. De fato, se você está no começo da carreira, não há investimento com retorno maior do que esse. Tão logo tenha sido reunido um conjunto decente de textos, será mais fácil alcançar pessoas capazes de alavancar sua carreira.

Ao contrário do que parece ser a percepção comum, escrever e publicar textos na web quase não tem desvantagens. Em nosso país, talvez estejamos enviesados pela infeliz preferência aparente, entre os mais vocais, por temas políticos. É curioso como parece haver uma grande resistência por aqui por falar publicamente daquilo que fazemos em nossas profissões — ou mesmo, de um modo geral, daquilo que sabemos e não muitos outros sabem.

Essa opção não se explica por uma eventual falta de interesse dos demais. Na maior parte das vezes, a abertura para falar da sua rotina profissional ou de temas específicos a ela, resulta em enorme engajamento daqueles que, por qualquer razão, seguem o conteúdo que você produz. Faça a experiência você mesmo ou fique atento a exemplos ao seu redor. Com frequência, a reação é de empolgação. É equivocada a concepção de que apenas pessoas que compartilham da mesma rotina profissional e têm a mesma base de conhecimentos terá interesse ou será capaz de acompanhar o seu conteúdo. Quase sempre, as pessoas de fora do seu nicho são as mais engajadas.

(Existe também a possibilidade óbvia de que parte dessa resistência a falar do que se faz profissionalmente deriva de pura incapacidade de descrever essas atividades. De fato, muitos parecem sequer ter consciência do que fazem, ou do porque executam suas atividades de uma certa maneira e não de outra. Além disso, é baixa a percepção das diferenças mais sutis nas formas de pensar inerentes às várias disciplinas do conhecimento humano, e ainda há pouca inter/trans-disciplinaridade no nosso dia a dia para fundamentar uma visão mais global dessa realidade.)

Publicar textos na web, de forma consistente, é um investimento cujo retorno é construído de forma gradual mas garantida. Em situações normais, quase não há riscos, ao mesmo tempo em que se abrem um grande número de oportunidades. Não são poucos os casos que já renderam contatos que resultaram na criação de projetos, no estabelecimento de relações de mentoria, em convites para palestras e eventos, ou mesmo ofertas de emprego. E o número de palavras parece ser uma variável pouco relevante: há quem tenha se promovido profissionalmente escrevendo no Twitter.

O uso quase exclusivo das redes sociais para publicação de conteúdo tem um papel importante na construção da preferência pelo pessoal idiotizante, pelo político e pelo pseudo-intelectual. A afirmação de que elas oferecem o único meio razoável para discussão de conteúdo é em si discutível, e costuma ser inadvertidamente estendida para uma versão em que se tornam também o único recurso disponível para a publicação em si. Passem menos tempo no Facebook, tornem sua experiência de escrever para a web menos social. Essas são opções que, curiosamente, aumentarão o alcance e o engajamento dos leitores com o seu texto.

A menção ao contexto profissional foi pra citar um caso extremo. Não há aqui nenhuma insinuação de que você deve escrever sobre sua profissão para seus seguidores. O ponto fundamental de ter uma profissão, ou, de maneira mais geral, ter uma forma de pensar fundamentada em um certo conjunto de conhecimentos e linguagem particular, é possuir uma perspectiva que, a princípio, pode ser aplicada à maioria dos temas e situações cotidianas que afetam as pessoas — uma aplicação que tem grande potencial de gerar benefícios para a discussão. Portanto, a maneira correta de usar seus conhecimentos é aplicar uma perspectiva menos comum a problemas que, por corriqueiros, são erroneamente tratados como triviais.

Aqui, é fácil cair na armadilha de acreditar que não vale a pena escrever sobre temas “triviais”, aplicando uma perspectiva óbvia. Mas convém ressaltar que, em grande medida, não existem obviedades. E que existe grande valor na repetição do que é de fato óbvio, tanto para si quanto para os outros.