O 2 de abril mais estranho
Publicar qualquer texto/fazer qualquer coisa que não seja claramente uma denúncia em referência/por ocasião do odiado “2 de abril” (Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo) — ou talvez até mesmo simplesmente aparecer ou respirar nesse dia — já seria um ato considerado odiável em si. Fazê-lo com algo apenas tangencialmente relacionado e falando em tom quase positivo de uma das pessoas mais odiadas da atualidade pode ser pra alguns motivo suficiente pra revogar minha autorização pra falar em primeira pessoa sobre esse assunto. Mas eis que aqui estou.
Pra piorar a situação, apenas compartilho/reproduzo parte de uma conversa com um amigo que me perguntava algumas coisas em reação ao famoso texto da Vanity Fair publicado há 3 semanas, em referência a entrevista realizada com a própria Grimes (ter esperado tanto tempo para tornar públicas as asneiras que pensei a respeito foi ótima decisão; como sempre foi e será, para qualquer um — recomendo a todos). Alerta: posições agressivamente pessoais e argumentos não substanciados a seguir, apresentados como conversa. Contexto: fui perguntado sobre a influência do EM sobre a G. Por alguém que não tinha lido e (corretamente) não queria ler o artigo da VF (não recomendo a leitura a ninguém).
Influência passiva, pra deixar claro. EM não me parece ser de modo algum o tipo de pessoa que fica dando conselho explícito pra alguém (o que é diferente de dizer simplesmente que ele não se importa). Mesmo pro X (1º filho dele com ela), que ela disse que ele carrega pra todo lado no trabalho (fica transitando entre as diferentes empresas dele). No fim deve ser só isso mesmo: imersão (e ter algum tempo com a criança — se não levar pro trabalho nunca vão se ver). Acho que no caso dela o fator de personalidade que se encaixou é “não se importar” com o que os outros pensam (literalmente qualquer um, até quem você ama). Alguns dizem que só dá pra fazer isso se você tiver muita grana, o que não é verdade — eu mal consigo sobreviver e sou meio que assim. Até porque no meu caso — e ouso dizer que no caso do EM também — seria mais difícil se importar com o que os outros pensam, se identificar com algum grupo, se sentir pertencente a alguma coisa. “está impresso nos genes.”
Claro que a G em grande parte já era assim, mas pelo visto ela ainda tinha uma ou outra identificação. Então não existia literalmente um universo de possibilidades de ação aberto na frente dela, por mais livre que ela parecesse ser. Pra você ter isso você não pode ter nada a perder. Ea melhor maneira de não ter nada a perder não é ter literalmente nada a perder, é não ter medo de perder alguma coisa. E aí claro “dinheiro infinito” conta muito. Uma via pra não ter medo de perder alguma coisa é saber que é quase impossível você perder qualquer coisa mesmo (o Eric Weinstein fala sobre “fuck you money”, que ele até diz que o EM obviamente tem mas ainda o decepciona por ele não usar o suficiente). Mas não é só isso. A mente do EM já é um grande “fuck you”. E do único jeito viável: não conseguindo se importar mesmo.